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terça-feira, 14 de julho de 2015

Estranho é ser estranho

É estranho uma pessoa escrever sobre violência e não se acostumar a ela,
é estranho você sair da sua casa para ir trabalhar e ver seus colegas sofrerem agressões verbais e morais,
é estranho você ir a um estabelecimento comercial e ver que aquela pessoa que está te atendendo acabou de passar por um tipo de constrangimento com o seu superior,
é estranho você ter amigos que narram histórias nas quais está implícito que elas sofrem ou já sofreram diversos tipos de violência,
é estranho você ligar a TV e ouvir os noticiários falando de roubos, corrupção, assassinatos e por aí vai,
é estranho você ver que as Instituições estão falidas e que a violência está prevalecendo no meio familiar, educacional, religioso,
é estranho você enxergar que tantas coisas estão acontecendo e nada é feito,
é estranho você observar que as pessoas se tornaram submissas de algo tão ruim,
é estranho perceber que as coisas são estranhas e o mais estranho é pensar por apenas um segundo que nada vai mudar,
é estranho não ver as pessoas debatendo o fato de serem violentadas, aqui eu não falo da violência física, mas de todos os tipos de violência,
por mais que eu ache tudo estranho, fico pensando se faz sentido eu ter um blog sobre violência, no qual as vítimas não fazem nada para mudar essa situação.
Eu não sei se não fazem, não querem ou não podem. Perco horas pensando o que posso fazer para ajudar, mas ao mesmo tempo me pergunto se as pessoas querem ajuda.
É um conflito meu comigo mesma, talvez apenas um momento de desabafo. Enquanto isso, sigamos a nossa caminhada, num mundo imperfeito com tantas estranhezas e infelizmente com tantas violências...

sábado, 11 de julho de 2015

Desmistificando o bullying

Há quanto tempo estamos ouvindo falar do bullying. Tudo é bullying. Termos como: "estou sendo bullynada", "sofro bullying o tempo todo",...é bem constante, principalmente vindo de adolescentes. Fiquei imaginando agora se todos os tipos de violência que sofremos se tornou bullying, mas a resposta é não. 
Querendo saber mais sobre o assunto, andei fazendo umas pesquisas, até porque é bom delinearmos o certo do errado. Então de acordo com Telma Vinha (doutora em Psicologia Educacional) numa entrevista para http://revistaescola.abril.com.br/formacao/escola-o-que-nao-e-bullying-610441.shtml ela define que uma agressão para ser dada como bullying deve apresentar as seguintes características:
1.a intenção do autor em ferir o alvo,
2. a repetição da agressão, 
3. a presença de um público espectador e 
4. a concordância do alvo com relação à ofensa.
De qualquer forma se você for agredido, verbalmente ou fisicamente, você está sofrendo um tipo de violência e isso não deve ser permitido. Converse com um responsável ou busque ajuda, não passe por esse problema sozinho.
Resultado de imagem para bullying

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O que fazer?

Resultado de imagem para prostituição

Quem somos nós para julgarmos o próximo não é mesmo? De certa forma eu sempre acredito que a vida nos proporciona opções, cabe a nós distinguirmos o que é melhor para a nossa vida. 
De certa forma não podemos fechar os olhos para a nossa realidade. Crise, desemprego, miséria são sinônimos de busca de alternativas e aí os índices de prostituição, consumo de álcool e drogas só tendem a aumentar.
O que podemos fazer para mudar esta realidade???

Melissa

Cada dia que acordava sempre sentia uma vontade imensa de continuar dormindo. Acordar para mim era sinônimo de tristeza, dor e de mais um dia de muita luta.
Perdi os meus pais quando era muito jovem, não quis morar em lares adotivos e me acostumei vivendo nas ruas. Um dia na casa de um parente, outro dia na casa de um conhecido e depois de algum tempo você percebe que não tem mais para onde ir e acaba criando o seu próprio lar da forma que te convém. 
Assim, caí nas drogas desde cedo. Comecei a beber e a me prostituir. Meu corpo, em minha mente, era a minha salvação. Vivi uma vida desregrada mas foi assim que sobrevivi por algum tempo.
Drogada, alcoolizada e prostituída meu resultado já era esperado. Com 23 anos, adoeci. Com pouco tempo definhei. Não tinha ninguém por mim. Era eu comigo mesma. Se tomei juízo? Infelizmente não. O vício era maior do que eu. Já fazia parte de mim. 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O que é pior: viver com medo ou ter medo de viver?

Quando criança tinha medo de cachorro. Aparecia um cachorro a quilômetros de distância e eu já gritava, subia em cima do que estivesse na minha frente e por aí ia. Era uma situação difícil porque a maioria das pessoas não entendiam o meu medo. Tenho certeza que me criticavam, me consideravam fresca e outras coisas mais, porém ninguém nunca parou para entender o que eu sentia.
O que descobri é que o pior sentimento que podemos ter é o medo. Ele nos faz criar situações que nos apavora. O medo é escuro, horripilante e te deixa insegura. 
Acredito, que a Maria Carlota tinha medo de viver. Talvez por suas inseguranças, talvez por ter virado um hábito, talvez por não querer sofrer. Com tantos "talvez" que ela colocou a frente de sua vida, ela perdeu a chance de conhecer novos lugares, apaixonar-se, constituir família, conquistar novos empregos, fazer novos amigos, aproveitar as oportunidades e o que a vida tem de bom.
Quando Maria Carlota fechou a porta de sua casa para que as pessoas não entrassem, ela com certeza estava passando uma mensagem de que ela era uma pessoa insegura, sozinha e que precisava de alguém que a entendesse, que lhe desse atenção. Mas infelizmente, não foi o que lhe aconteceu.
Minha dica para quem está passando por essa situação ou por uma situação semelhante: não deixe que o medo te impeça de tentar. Viva a vida da melhor maneira.

Maria Carlota

Eu passei um bom tempo da minha vida sentindo pena de mim. Sempre me considerei aquela criança que era sempre a excluída, depois aquela adolescente que ninguém queria por perto e com esse sentimento me tornei uma mulher amarga.
A minha estória é tão chata e repetitiva que não dá vontade nem de contar. Basicamente quando nova, ajudei a minha mãe a cuidar da casa e dos meus irmãos. Um pouco mais tarde larguei de vez os estudos e comecei a trabalhar para ajudar em casa. Ao me tornar mais adulta minha vida se resumia a bebida, cigarros, trabalho e casa.
Morava com os meus pais. Nesta etapa, meus irmãos se casaram e cada um tomou um rumo na vida. Não tive essa oportunidade. Não conheci ninguém, não amei ninguém e nunca cheguei a viver em grupo. Festas, saídas depois do trabalho, viagens, nada disso era para mim.
Por algum motivo me fechei. Com a morte dos meus pais, com a minha aposentadoria, não precisava de mais nada. Acordava, dormia e quando me lembrava comia. Não atendia nenhuma ligação, não ia mais a lugar algum. Quando alguém chegava na porta da minha casa, fingia que não estava, até que eles desistiam e iam embora.
Eu sempre fui chamada para as festas de família. O que meus irmãos podiam pensar quando me convidavam? Com certeza devia ser algo do tipo: deixa eu chamar aquela solteirona que não tem para onde ir. Esfregar a felicidade deles na minha cara, eu não precisava disso.
Fiz a minha vida como pude. Assistia uma novelinha, ouvia as notícias da cidade pela rádio, tomava “umazinha” depois do almoço e pronto. Essa era a minha vida perfeita. A vida que escolhi. A vida que me dei a opção de viver. E cabia nessa minha vida aguardar o dia que não precisaria mais me levantar.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Voltando...

Oi pessoal!!! Sei que dei uma sumidinha por aqui, mas apesar de não estar escrevendo no blog, continuo com as minhas pesquisas sobre violência. O que tenho observado é que a maioria dos jovens sofrem violência constantemente e não sabem que estão sendo violentados.
Acredito que a maioria das vezes,  ligamos a violência a agressão física ou sexual, mas são tantas as formas de sermos violentadas e é esse o objetivo do blog, poder falar, mostrar e tentar ajudar aos que estão passando por este tipo de problema.
Neste período que me ausentei, apliquei uma pesquisa sobre violência escolar numa Escola Pública Estadual com jovens entre 14 a 17 anos e sem que eles percebam todos os entrevistados já sofreram ou ainda sofre algum tipo de violência. É uma situação problemática. O que pude observar é que eles se sentem sozinhos, não tem com quem se expressarem e de certa forma a violência já se tornou tão banalizada que parece como algo que é comum.
Precisamos reverter esta situação. Temos que mobilizar as pessoas para que lutem contra a violência enquanto não somos vencidos por ela.