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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Glória

Não há nada pior do que esperar. Esperei a minha vida inteira. Esperei ser amada pela minha família, esperei arrumar um bom casamento, esperei que meus filhos me amassem como eu os amei, esperei ser feliz e esperei ser curada.
Se paro para pensar a respeito da cura, este foi o maior dos meus problemas, pois, foi ao saber do meu estado físico é que percebi que vivia num mundo somente meu. Quando você descobre que tem uma doença como essa, você descobre que seu casamento foi uma farsa, que sua vida foi uma farsa e que tudo que você acreditou era uma farsa.
Não sei dizer ao certo o que senti. Num primeiro momento não acreditei no que o médico me dizia. Num segundo momento, pensei que meu exame podia ter sido trocado. Num terceiro momento refiz o exame e orei para que tudo fosse um sonho. Mas não foi. O resultado dera positivo e aí não tive dúvidas.
Existiu a parte que eu questionei muito a Deus pelo que estava passando, se eu merecia tudo aquilo. Sempre me achei uma pessoa boa, simples, pacífica, mas esse pensamento durou muito pouco. A minha raiva era maior que a minha consciência. A minha raiva era maior que as minhas ações. Não podia perdoar o meu marido e realmente não o perdoara.
Depois deste dia a minha vida desmoronou. Eu não sei ao certo como se deu o encadeamento de tantas tragédias. Perdi algumas pessoas que me amavam, mas o pior de tudo, estava perdendo quem eu era. Me transformei numa pessoa amarga, infeliz, repugnante. Acabei destruindo e abandonando as pessoas que sempre estiveram do meu lado. Não podia me olhar no espelho tamanha raiva que eu sentia. Me senti enganada, me senti destruída. Mas não bastava sentir eu tinha que mostrar a minha infelicidade aos outros.
Foi difícil e ainda é. Hoje começo entender o que me passou. Hoje começo a aceitar os erros que cometi e a compreender o que fiz de errado. Para mim perdoar ainda é difícil, mas sei também que deve ser difícil a quem fiz sofrer me perdoar. A vida parece um ciclo. Hoje consigo enxergar algumas coisas, outras acredito que será com o tempo. Foram muitos anos de erros e acertos para tentar compreender tudo que passei. Penso que o que mais gostaria é de me sentir em paz. É difícil ter paz quando você só enxerga a dor.

Sei que a vida não me foi fácil, mas sei o que passei. Não quero citar nomes dos que compuseram a minha família, só queria fazer referência a uma única pessoa, a minha mãe. Sei o quanto ela fez por mim, sei que deu mais do que poderia ter me dado. Foi uma pena não ter ido até o final com o que me era mais precioso, a fé. Espero que onde ela estiver, possa estar pensando em mim. Como eu desejaria um único abraço. Me sentir amada apenas mais uma vez. Para mim bastaria. Sei que a partir de agora eu consigo recomeçar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Violência sexual infanto-juvenil

Resultado de imagem para violência sexual infantil

A maioria dos abusos sexuais ocorrem em casa que impede a proteção da criança.
Quem não denuncia, também violenta. Disque 100 e mude esta história.

Fabiana

Eu não sei ao certo o que quero dizer. A minha vida está como um filme percorrendo à minha mente. Lembro de todos os males que me aconteceram e de todas as pessoas que o fizeram. Não consigo perdoá-los, não consigo amá-los, não consigo sentir nada por eles.
Quando criança fui abandonada pela minha mãe, meu pai arrumou outra mulher que me maltratava. Meu pai viajava constantemente a trabalho e além dos males que ela me fazia, da fome que sentia, das surras que levava, das noites trancafiadas dentro do depósito, um dia descobri que ela tinha outro homem. Este foi o pior dos meus erros. Aos nove anos fui leiloada, um homem bem velho que cheirava a gado me violentou. A partir daí foi constante. Aos treze anos eu não mais me conhecia. Não tinha prazer de nada, detestava a minha vida, tinha nojo das pessoas que me cercavam e da vida que levava. Não compreendo bem o papel do meu pai neste processo. Não sei quem ele era porque se fosse o meu pai de verdade não teria permitido que passasse por tudo isso. A minha mãe não consigo perdoá-la, penso se teria sido diferente se ela estivesse ali, penso se ela teria me protegido, mas acredito que não. Se me abandonou, se me deixou sem nada, se me fez perder quem eu era, ela nunca teria me protegido.
Pensei em muitas coisas, lembro quantas vezes dormi chorando desejando que tudo acabasse. No fim descobri que não acaba, a dor é eterna, não consigo me livrar de tantos pensamentos. Acredito que estou chegando num ponto que esta dor que sinto dentro de mim está me consumindo. Vejo e revejo a minha vida o tempo todo. Ficou impregnado em mim. Sofro o tempo todo. Sei que passaram muitos anos, sei que preciso seguir uma nova caminhada, mas está difícil. Preciso de ajuda, mas sei que neste momento eu preciso me ajudar, preciso me libertar, preciso encontrar a minha luz.

sábado, 9 de janeiro de 2016

MADA

Através de uma amiga que adora se envolver em causas nobres, ela descobriu uma irmandade de mulheres que ajudam as mulheres anônimas que amam demais a se recuperarem de relacionamentos destrutivos através de trocas de experiências num programa de recuperação que segue 12 passos.
Para quem se interessar segue o endereço do blog oficial:  http://grupomadarj.blogspot.com.br/
Agora para quem gosta de uma boa leitura que envolva auto-ajuda o livro está disponível para download.
Mulheres que Amam Demais de Robin Norwood

Pensando, repensando e pensando de novo

Me dá muito desânimo em falar sobre violência, por que não é um tema que as pessoas querem discutir. Porém, toda vez que penso em parar, me deparo com dezenas de relatos de amigos, conhecidos, desconhecidos que já sofreram ou ainda sofrem algum tipo de violência. Tive a oportunidade de criar um twitter por menos de 24 horas e perceber o quanto o ser humano ainda está impregnado de conceitos arcaicos. Não conseguem ver o quanto a sociedade evoluiu e que o ser humano é digno de ser respeitado.
Tenho lido também alguns blogs que tratam deste tema e vejo a dificuldade que é para elas serem respeitadas pelo trabalho que estão tentando fazer. Muitas são ameaçadas, muitas são perseguidas, muitas são desrespeitadas e não há ninguém que as proteja, o que as protegem é a força de sua luta por esta causa.
Imagino quantos trabalhos sociais devem ter iniciado com o intuito de ajudar as vítimas de violência e que não devem ter prosseguido por falta de segurança à sua própria vida. É muito triste viver num mundo onde a violência se tornou banalizada. É muito triste perceber que há muito pouco sendo feito por estas pessoas. É muito triste observar os relatórios anuais mostrando que os índices de violência aumentam a cada dia. É muito triste não termos ações que busquem sancionar este problema que é tão sério e que nos afeta a todo instante. É muito triste perceber que este não é um problema só seu, mas de todos.

Não é a raça, não é o grau de instrução, não é o gênero, não é a opção sexual, não é a idade, não é a religião que fazem a diferença para que a violência seja exercida/sofrida. São todos que em algum momento estão tendo que (con) viver com a violência. A violência não pode se tornar oculta, ela precisa ser debatida, ela precisa ser banida, ela precisa ser denunciada.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sobre a violência

Muito se têm falado sobre a violência contra a mulher com o objetivo de proteger as suas vítimas. Leis, políticas públicas, debates, ações sociais, pesquisas, movimentos organizacionais,..., têm contribuído para se falar a respeito deste tema que gera tanta polêmica e que tenta de alguma forma prevenir a mulher vitimada e punir o seu agressor.
A violência, na maioria das vezes inicia-se de maneira sutil até o agressor ter total controle sobre a vida da vítima. A vítima se sente impossibilitada de reagir e vai permitindo este controle. Sem forças, sem crenças, sem vida, ela começa a acreditar que é merecedora desta violência. A maioria das vítimas entram num círculo vicioso onde chegam à sua própria morte.
Não espere que esta situação, ocorra com você. Caso seja vítima de violência: maus tratos, assédio, estupro, espancamento, entre outros, faça a sua parte: DENUNCIE.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Voltei

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" Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)