Desde
o período colonial, observamos que a historiografia mascarava a realidade
brasileira através do conceito de família patriarcal que predominava como o
modelo a ser seguido pela sociedade.
Na
história brasileira, não podendo deixar de incluir a própria história de São
Mateus, o aumento da chefia familiar feminina se deu inclusive na época da
escravidão. As separações das famílias escravas davam-se por diversos motivos,
entre eles: venda de um de seus membros, migração da figura masculina em busca
de trabalho, guerras e até mesmo morte.
Com
o decorrer da história, a mulher precisou sair do contexto familiar para ir à
busca de trabalho para garantir o provimento de suas necessidades básicas tais
como: alimentação, vestuário, moradia.
Neste
contexto a mulher passou a desempenhar sozinha vários papéis entre eles: educar
seus filhos, prover seu lar, trabalhar fora, pagar as contas da casa e
inclusive os afazeres domésticos.
Famílias Quilombolas Mateenses:
Conta
Aguiar (2001) que Zacimba Gaba foi uma princesa da nação africana, que passou a
viver na Casa Grande. Lá, foi humilhada, castigada, surrada e violentada pelo
seu dono. Anos se passaram e Zacimba foi se tornando uma mulher madura e
preparando sua alma de guerreira.
Zacimba
preparou sua liberdade, envenenando o fazendeiro até a sua morte. Em seguida
ela criou um quilombo onde ela comandava as lutas que se travavam pela
libertação de seu povo. (...)”e aquela princesa, que parecia
frágil, incorporava, definitivamente, a figura de uma guerreira” (pág.21).
(...)“ Assim liderou seu povo contra as atrocidades e possuída por uma coragem
singular, terminou a vida de lutas heroicamente, como um raio na escuridão”.
(pág.22)
Os
quilombos funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais que abrigavam
escravos fugidos das senzalas. Hoje, há cerca de 1500 famílias negras rurais,
reunidas em 20 comunidades remanescentes na região Sapê do Norte (entre os
municípios de Conceição da Barra e São Mateus) organizadas para garantir o
direito à propriedade da terra.
Quando
se pensa nestas comunidades quilombolas, à imagem que nos vem à cabeça são de
grupos isolados, negros, vivendo numa comunidade rural distante dos centros
urbanos e com dificuldade de acesso ao transporte, ao trabalho, aos serviços
educacionais e hospitalares.
Muitas
destas famílias remanescentes, migraram para os centros urbanos em busca de
condições melhores de vida aos integrantes da sua família. Outros, devido as
dificuldades financeiras, o homem saiu para trabalhar na cidade, deixando a
mulher tomando conta do lar e dos seus filhos. Com o tempo, estes homens não
retornaram. Ficaram na cidade e constituíram uma nova família.
Estas
mulheres se viram no meio do nada, sem uma forma de sobreviver e com filhos nos
braços foram à luta. Cada uma destas mulheres, considero uma Zacimba: não
desistiram, foram fortes, guerreiras, souberam agir na hora que precisava e da
forma que puderam, criaram a sua família.
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